Blog

Validação Analítica| Especificidade ou Seletividade

A seletividade, mais chamada de especificidade, é um parâmetro tão importante na validação de metodologias analíticas que aparece em todo lugar! É o primeiro parâmetro na validação exploratória do desenvolvimento do método, na validação completa e na validação parcial (transferência analítica). Vem comigo entender esse parâmetro melhor, de acordo com a RDC 166/2017, quando aplicado em ensaios cromatográficos.

Vamos entender o que é especificidade ou seletividade?

Especificidade ou Seletividade é a habilidade de avaliar inequivocadamente o analito na presença de componentes que se esperam estar presentes.

Tipicamente, estes componentes podem incluir diluentes, impurezas, degradados, componentes da matriz, etc. 

No caso de métodos cromatográficos, deve ser comprovada a pureza cromatográfica do sinal do analito, exceto para produtos biológicos. RDC 166/2017

Em caso de separação cromatográfica, fatores de resolução devem ser obtidos para a separação de interesse. Testes de homogeneidade de pico, por exemplo, por detecção DAD ou MS são recomendados. Escrevemos um post só sobre a pureza de pico, confira!

Com respeito à identificação:

  • Você precisa garantir que o método diferencia os compostos relacionados presentes na amostra. O ensaio deve ser realizado com amostras positivas (contaminadas) e negativas (sem o ativo em estudo).
  • Seu pico precisa apresentar um nível apropriado na matriz da sua amostra. Principalmente no caso de impurezas, se seu pico for muito pequeno, você precisa trabalhar com amostras degradadas.
  • Você precisa demonstrar que o resultado não é afetado pela amostra contaminada por outros componentes presentes.
  • Impurezas devem ser separadas individualmente entre si e de outros componentes da matriz.
  • A especificidade também pode ser demonstrada pela verificação do resultado com um procedimento analítico independente.

 A terminologia: Especificidade x seletividade

Existe alguma discussão controversa sobre a terminologia para essa característica de validação. Diferente do ICH, a maioria dos outros órgãos analíticos o definem como seletividade. Especificidade é tida no seu sentido absoluto, como o último grau de seletividade (IUPAC).

Apesar dessa controvérsia, existe um amplo consenso de que a especificidade/ seletividade é uma base crítica para cada procedimento analítico. Sem seletividade suficiente, os outros parâmetros de performance perdem o sentido. Para manter uma terminologia consistente, especificidade é usado como um termo genérico para a característica de validação. Seletivo e seletividade descrevem o grau qualitativo. Não existe uma medida absoluta para seletividade, mas somente uma ausência de evidência, não uma evidência de ausência.

Ao contrário da análise química, onde cada procedimento analítico é obtido separadamente (e avaliado), na análise farmacêutica uma grande quantidade de testes de controle são usados para avaliar o lote. Desse modo, o desempenho de cada teste analítico individual pode complementar outro para que se atinja o nível geral de seletividade requerido. Por exemplo, um ensaio por meio de uma titulação menos seletiva que incluirá impurezas com os mesmos grupos funcionais pode ser confirmado (ou corrigido) por uma determinação de seletividade de impureza por cromatografia líquida.

A especificidade deve ser considerada no começo do desenvolvimento da metodologia analítica, levando-se em consideração as propriedades tanto do analito quanto da amostra (matriz). A determinação apropriada de seletividade do analito pode ser atingida através de um preparo de amostra apropriado, separação e detecção.

Normalmente, a combinação de diversas abordagens será considerada.

Detecção seletiva

Para uma detecção seletiva, as propriedades únicas do analito são importantes, abaixo alguns exemplos importantes.

  • Propriedades espectrais (comprimento de onda UV ou fluorescência seletivos);
  • Espectro de massa, incluindo fragmentação;
  • Reações seletivas (sensores);
  • Reconhecimento molecular (anticorpos, receptores).

Exemplo de detecção seletiva

A determinação de uma pureza enantiomérica dos aminoácidos constituintes de um tripeptídeo sintético é mostrada na figura abaixo. O tripeptídeo hidrolisado é derivatizado com um reagente quiral de Marfey, convertendo os enantiômeros do aminoácido em pares de diasterômeros, que podem então ser separados por cromatografia de fase reversa. Entretanto, conforme o traço superior nos mostra, o cromatograma UV é bem complexo – até mesmo para um tripeptídeo com apenas seis enantiômeros – devido a picos adicionais relacionados ao reagente ou a produtos secundários. Mas, como as massas moleculares dos aminoácidos derivatizados são conhecidas, os cromatogramas de massa respectivos podem ser facilmente obtidos (traços B-d), eliminando qualquer interferência de outros componentes na mistura.

Cromatografia de fase reversa com detector UV (A) e espectroscopia de massa (B-D). Os picos menores nos traços B-D se referem aos aminoácidos-D.

Cromatografia de fase reversa com detector UV (A) e espectroscopia de massa (B-D). Os picos menores nos traços B-D se referem aos aminoácidos-D.

A seletividade também pode ser conseguida através de uma estratégia de preparação de amostra, como por exemplo, por derivatização, extração, precipitação, adsorção, etc. Entretanto, uma preparação complexa de amostra irá provavelmente ter uma influência considerável em outras características de validação, como a precisão e/ou acuracidade. Dessa forma, um ponto de equilíbrio de forma geral precisa ser encontrado.

Na segunda parte desse artigo falaremos sobre a determinação da pureza de pico. Acompanhe.

Confira também uma discussão sobre a subjetividade da avaliação gráfica de pureza de pico versus cálculos estatísticos por software de validação analítica. Você quer saber como realizar cálculos estatísticos na seletividade? Confira esse vídeo:


Fonte: Method Validation in Pharmaceutical Analysis.AGuide to Best Practice. Joachim Ermer, John H.McB. Miller (Eds.)

Artigos relacionados:

ANVISA, Effivalidation, Especificidade / Seletividade, Parâmetros da validação analítica, Software , , , , , , , , ,