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Precisão Intermediária e Reprodutibilidade| Validação analítica

Agora que você já conheceu nosso esquema de níveis de precisão, e já conversamos sobre os parâmetros de precisão de curto prazo, escrevemos pra você esse artigo detalhando as de longo prazo. As famosas precisão intermediária e reprodutibilidade, carinhosamente apelidadas de PI e Repro. Você quer conhecer a análise estatística envolvida de forma simples e direta? Então não deixe de ler esse post.

Precisão intermediária

Precisão intermediária inclui a influência de efeitos aleatórios de acordo com o uso pretendido do método dentro do mesmo laboratório e pode ser entendido como a estimativa inicial para a variabilidade de longo prazo.

Fatores relevantes, como operador, instrumento e dias tem que ser alterados. A precisão intermediária é obtida aplicando-se a metodologia analítica completa diversas vezes, em série. Da mesma forma que na repetibilidade, deve-se dar preferência ao uso de amostras reais.

No caso de técnicas relativas, a preparação e análise dos padrões de referência é a única contribuição variável importante. Não é aconselhável a determinação da PI só pelo pico da amostra, mesmo que analisada em dias diferentes ou apenas em concentrações diferentes. É póssível que você encontre na literatura de validação esse procedimento de desprezo do cálculo relativo com o padrão.

Além de ignorar a contribuição do padrão de referência, qualquer alteração de sinal do instrumento será erroneamente interpretado como uma variabilidade aleatória.

Para refletir a variabilidade esperada na rotina de forma apropriada, a calibração deve ser desenvolvida da mesma forma que o método a ser validado.

Reprodutibilidade

Reprodutibilidade, de acordo com a definição do ICH, é obtida variando-se fatores adicionais entre os laboratórios.

É particularmente importante para se avaliar os métodos compendiais “oficiais” ou se o método é aplicável em diferentes locais. Entretanto, entendido dentro da perspectiva de longo prazo, tanto a precisão intermediária quanto a reprodutibilidade se assemelham, pelo menos dentro da mesma empresa.

Para avaliar experimentos colaborativos, a reprodutibilidade é o parâmetro usado. Nesse caso, é esperado que se incluam contribuições adicionais de variabilidade. Nesse caso existirão diferenças de conhecimento, experiência, equipamento, etc. entre os laboratórios participantes.

Análise estatística da precisão intermediária e reprodutibilidade

É muito importante abordar a precisão intermediária e reprodutibilidade adequadamente, pois é uma estimativa da variabilidade (e robustez) esperada. A principal estimativa desses dois parâmetros será para aplicações de longo prazo, como análises  de estabilidade, por exemplo. De acordo com o ICH, os desvios-padrão devem ser calculados para cada nível de precisão. O teste de rejeição também provê uma informação importante para a avaliação do resultado da PI e da Repro.

A diretriz do ICH não fornece nenhuma orientação sobre o número de determinações ou séries para esses parâmetros. No entanto, a relação básica entre o número de determinações (ou graus de liberdade) e a confiabilidade do desvio padrão devem ser consideradas.

A abordagem mais simplificada é se desenvolverem estudos de repetibilidade com seis determinações, variando-se o operador e/ou o equipamento. No caso de duas séries, a PI é baseada em dez graus de liberdade e os dados também podem ser usados ​​para a determinação de repetibilidades individuais.

É importante mencionar que cada uma das séries de repetibilidade deve ser realizada de forma independente, incluindo a preparação da amostra e calibração. 

Quanto mais séries forem realizadas, mais variações e combinações de fatores (por exemplo, tempo, operador, equipamento, reagentes, etc.) podem ser estudadas. Os resultados obtidos também serão mais confiáveis. Assim, aumentando o número de séries pode-se reduzir o número de determinações dentro de cada série.

Exemplos na literatura incluem:

  • Dois operadores analisando em dois dias diferentes, usando-se dois instrumentos e três amostras cada (24 resultados, 16 graus de liberdade);
  • Duas repetições (para vários lotes) em sete dias (14 resultados, sete graus de liberdade); e
  • Abordagem japonesa de se variar seis fatores (por analogia da exigência do ICH), como dois operadores, dois instrumentos e duas colunas de forma aleatória, com duas repetições cada (12 resultados, seis graus de liberdade).

Considerando os graus de liberdade gerais, tem-se que as duas últimas abordagens não têm uma grande melhoria na confiabilidade.

Outra abordagem pode consistir em usar:

  • O número de preparações de amostra prescritas na metodologia avaliada;
  • O número apropriado de séries independentes;
  • Fatores variáveis ​​relevantes para a aplicação de rotina.

O desvio padrão das médias corresponderia então diretamente à variabilidade analítica do procedimento de liberação do lote.

Seja qual for a abordagem escolhida, para que se tenha uma avaliação e interpretação sensíveis, o nível de precisão deve ser claramente distinguido e o projeto experimental e os cálculos suficientemente descritos na documentação gerada.

Os cálculos estatísticos devem ser preferencialmente realizados em um software com trilha de auditoria e certificado para ISO 17025/2017. Dessa forma, os resultados serão calculados dentro de fórmulas estatísticas pré-formatadas. Você exclui aí o risco de intervenção ou erro nos cálculos por parte do analista. A DCtech indica o uso do software Effivalidation, especializado em validação analítica e disponível em português.


Veja a demonstração abaixo de como o Effivalidation é usado no  cálculo estatístico da Precisão Intermediária conforme a RDC 166/2017.

Fonte: Method Validation in Pharmaceutical Analysis. A Guide to Best Practice. Joachim Ermer, John H.McB. Miller (Eds.)

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